Jornal A Cidade
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Santa Maria, Quinta-Feira, 28 de Fevereiro de 2019 - Ano XX - Edição 1263 - R$ 2,00
EDIÇÃO 1263 ANIVERSÁRIOS 28 de Fevereiro de 2019
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DESAFIOS DO NOSSO TEMPO

Aniversários: bertilo desafios nosso
[ Foto sobre Bertilo 1263 DESAFIOS DO NOSSO TEMPO ]
Arquivo: Material publicado na Edição 1263 do Jornal A Cidade.

Passamos por tempos tão difíceis que poderíamos nos perguntar: é sensato desejar a alguém um feliz 2019? É evidente que sim! Afinal, assim exprimimos todo o bem que desejamos aos outros, e isso não é de pouca relevância. Todavia, diante do cenário árduo, mesmo com todas as nossas melhores intenções, é realista formular votos assim? Num livro chamado, O novo iluminismo, o psicólogo norte americano Steven Pinker comenta que, de fato, temos a sensação de estarmos atravessando os piores de todos os tempos. Ele, porém ,refuta com força essa percepção, comparando dados do presente com os do passado para demonstrar que hoje vivemos bem melhor do que nossos antepassados; temos mais saúde, menos pobreza, mais segurança, menos violência, mais conhecimento, mais lazer… “Em 86% dos países, a felicidade aumentou nas últimas décadas”. Pinker atribui nossa percepção de que as coisas vão mal tanto a um mecanismo da nossa memória muito seletiva quanto as experiências negativas do passado, quanto aos noticiários cotidianos ele poderia repetir o ditado africano: “Faz mais barulho uma árvore caindo do que uma floresta crescendo”. Por sua vez, o cientista, teólogo e jesuíta francês Teilhard de Chardin, especialmente em seu livro O fenômeno humano, anotava que há uma linha de evolução desde o nascimento do universo, passando pelo surgimento da vida na terra e sua evolução até o ser humano, que continua na história da humanidade e ruma a um futuro, até chegar ao “ponto Ômega”, quando, segundo Paulo, cristo será “tudo em todos”. Para Teilhard de Chardin, há uma “lei de evolução” conduzindo esse processo, e as crises da história são atravessadas instaurando uma nova qualidade da relação entre os seres humanos. Segundo, ele o futuro é melhor do que qualquer passado. Muitos cientistas sociais questionam esse “progresso da história” e apontam que muitas conquistas, especialmente no campo social(por exemplo os direitos humanos), foram resultados de conflitos e lutas. Também não creio haver um determinismo histórico pelo qual vamos inexoravelmente para um mundo melhor. Mas, em consonância com o pensamento cristão (como no de Teilhard de Chardin), creio haver no ser humano uma “lei”, uma “marca de amor”, que o impele ainda que de maneira atabalhoada a buscar o bem, o verdadeiro e o belo; que o faz reconhecer que, embora boa parte da humanidade viva melhor, o que ainda existe de violência, fome, exclusão, malfeitos, é inaceitável. Leva-o a se comprometer para que essa realidade mude (um exemplo disso é o esforço conjunto de setores governamentais e da sociedade em vista das metas do desenvolvimento sustentável). E o torna ciente de que também é sempre possível fracassar. Portanto, olhando de um lado os fatos que falam do progresso, como propõe Pinker, e de outro, apostando no desejo de bem do ser humano, como ensina o cristianismo, creio que se possa fundamentar uma esperança, que se traduz em compromisso de atuação para que aconteça, num futuro de felicidade para todos. Pe Bertilo João Morsch – Reitor do Seminário maior São João Maria Vianey

Publicado originalmente na Edição 1263 · 28 de Fevereiro de 2019
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