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Santa Maria, Quinta-Feira, 16 de Agosto de 2018 - Ano XIX - Edição 1235 - R$ 2,00
EDIÇÃO 1235 ANIVERSÁRIOS 16 de Agosto de 2018
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Família, fonte de transformação social.

Aniversários: bertilo família família
[ Foto sobre BERTILO 1235 Família ]
Arquivo: Material publicado na Edição 1235 do Jornal A Cidade.

Há quem diga que a família está sendo destruída. Outros pensam que o conceito de família está banalizado. Há ainda quem pense que não há mais espaço para a família nos moldes defendidos pela Igreja Católica. Não podemos aderir a esse pessimismo exacerbado que turva a nossa inteligência e nos impede de pensar soluções eficazes para os problemas que enfrentamos hoje em dia. O ponto de partida para a nossa reflexão é a compreensão de que a estrutura familiar proposta pela Igreja é a que Deus realmente estabeleceu para a humanidade no seu projeto primeiro. Basta sermos honestos intelectualmente que teremos que admitir que o melhor ambiente para gerar uma vida é aquele composto por um homem e uma mulher que, se amando intensa e exclusivamente, recebem de Deus a unção sacramental do matrimônio, e transbordam esse amor lhe dando carne em seus descendentes. Os casais que não podem ter filhos pela reprodução, podem tê-los pelo coração, seja pela adoção ou pelo serviço caritativo. Porém, é preciso recordar que Deus, no seu amor infinito, está atento as fragilidades humanas e acolhe seus filhos compreendendo seus dramas. Infelizmente, por causa da dureza do coração humano, muitas pessoas não conseguem estabelecer o modelo primeiro de família. Algumas tiveram seus sonhos familiares destruídos pelo alcoolismo, outras pela infidelidade, outras pela violência, ou ainda pelo abandono ou pela morte prematura de alguém. Essas pessoas precisaram se adaptar, para que, amenizando a dor que latejava, pudessem encontrar ao menos uma brisa de esperança. Olhar para o diferente com misericórdia não significa que vamos pensar, agir ou amar como ele. Significa apenas que nosso coração aprendeu a amar do jeito de Jesus. É medíocre defender uma verdade usá-la como fundamento de acusação sem antes possibilitar condições para que as pessoas possam experimentar essa verdade. Aos que Jesus convidava para o reino de Deus, ele sempre dizia “vem e segue-me” em outras palavras “fica perto de mim, faça as coisas que eu faço e você também será filho do meu Pai”. Assim, precisamos exercitar o olhar misericordioso, pois sem a misericórdia o mundo fica cinza. Partindo destas situações podemos fazer uma pergunta: Como se inicia uma família? Autores destacam que a forma natural e social da constituição familiar parte de um aspecto personalista. Ou seja, é uma visão de que o ser humano, em sua individualidade e integralidade, assume e confirma seu desejo de constituir um vínculo afetivo mais profundo com a pessoa amada. Neste sentido, o inicio do relacionamento, para ser compreendido e vivenciado em seu valor mais profundo, parte de duas pessoas livres e conscientes que assumem, conjuntamente, uma vida de alegrias e sacrifícios, conquistas e desafios. Decorre que deste vinculo pessoal, surge o que podemos dizer da ação social da família. A relação conjugal (dos esposos) traz consigo uma responsabilidade de cuidado muito grande. Erra quem busca uma relação para proveito próprio. O amor de duas pessoas se torna “forte” quando se tem a consciência de que se cresce somente através da entrega e do serviço. E que fique bem claro: ação que deve ser realizada pelas duas partes envolvidas. Esta “mais bela escultura da vida e do amor” somente será moldada se as pessoas envolvidas conseguirem relacionar seus desejos e esperanças na relação íntima de conjugalidade com as pessoas que fazem parte deste “local” especial de vida. Pe. Bertilo João Morsch – Reitor do Seminário Maior São João Maria Vianey.

Publicado originalmente na Edição 1235 · 16 de Agosto de 2018
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