Tempo de viver a alegria
O mês de junho nos coloca no coração da alegria. É tempo das festas juninas, celebradas pelo país a fora, com fogueiras, doces, danças, poesias, procissões… Tudo nos conduz a alegria. Recordamos algumas testemunhas da alegria de Deus: São Antônio, São João Batista, os Apóstolos Pedro e Paulo… O povo considera São Pedro patrono das casas e das chaves. Tempo de hastear o mastro petrino, finalizar as festas juninas com as procissões nas ruas, e para os que vivem na zona litorânea, navegar com os barcos adornados. Sua memória é sempre a de um pescador disposto a atirar a rede quando Cristo ordenar, apesar das ondas e ventos contrários. Exprimiu-se na alegria do povo que, mesmo explorado e machucado pelo cotidiano, faz da festa um intervalo de luz entre as trevas. As festas dos santos exprimem a alma do povo e seus melhores momentos de partilha na música, na culinária e ao redor das mesas. São prenúncios eucarísticos do Reino de Deus em ação. A alegria cristã nasce do dom de servir. Parafraseando o Papa Francisco, constatamos uma bela lição que vem da natureza: os rios não bebem da sua própria água. A árvore não come de seus próprios frutos. O sol não brilha para si mesmo. As flores não perfumam para si próprias. Servir é uma regra da natureza. E, ser feliz, é muito bom; mas, fazer os outros felizes é muito melhor. Ente outras, há três maneiras de olhar o tema da alegria. Ver alegria segundo a mentalidade dominante de nosso sistema capitalista neo liberal. Esta mentalidade é bastante forte, difundida pelos meios de comunicação social. A alegria está intimamente ligada ao consumismo e ao individualismo. Alegria é sinônimo de possuir coisas, de pensar só no seu bem estar pessoal. O Papa Francisco afirma, com extraordinária clareza: “O consumismo só atravanca o coração; pode proporcionar prazeres ocasionais e passageiros, mas não alegria”(Exortação Alegrai-vos e Exultai,128). A segunda maneira de considerar a alegria é a partir da linguística. Para os dicionários de língua portuguesa, “a alegria tem a ver com o prazer de viver”(Aurélio). A pessoa alegre é aquele que tem razões para viver. Assim sendo, a alegria está intimamente ligada com o sentido da vida, com as razões de viver. Finalmente, ver a alegria a partir da perspectiva da fé cristã. A alegria carrega dentro de si a marca do encontro. Primeiramente, trata-se do encontro entre a criatura com o Criador. A vida pertence à ordem do DOM, do AMOR. Dizendo com outras palavras: Dom que é fruto do amor. Santo Agostinho insiste em afirmar que “Deus, primeiro ama, depois Ele dá a vida. Nós seres humanos, primeiro criamos, depois amamos”. A vida e alegria estão vinculadas ao ato de amar. Amor de Deus e amor dos pais. Este amor recebido tem que ser partilhado. Devemos abrir espaço em nós para acolher os outros. Neste sentido Paulo Apóstolo afirma: “Existe mais alegria em dar do que em receber”. Sabiamente o Papa Francisco conclui: “A alegria cristã é aquela que se vive em comunhão, que se partilha e comunica”. Pe. Bertilo João Morsch – Reitor do Seminário Maior São João Maria Vianey.