A Comunicação para uma Cultura da Verdade e da Paz.
Somos convocados a refletir sobre a constante presença das fake News em nossas vidas, bem como sobre a necessidade de um jornalismo comprometido com a construção de uma nova civilização, um jornalismo que promova a paz. Inevitavelmente essa discussão nos direciona a pensar sobre o processo de desenvolvimento da civilização humana e como, ao longo do tempo, o mal e os interesses pessoais, políticos e econômicos foram falando cada vez mais alto, em detrimento de um desenvolvimento coletivo que fosse bom para todos. As conquistas da humanidade, no último século, são impressionantes, chega ser espantosa a capacidade humana de recriar o criado. Podemos dizer que isso é um dom de Deus, porem os avanços do ser humanos e da humanidade nem sempre acontecerem para beneficiar a todos e tampouco foram pacíficos, parece que a noção de desenvolvimento comumente difundida na sociedade está completamente distante de uma questão primária: o cuidado com a vida e com a criação. É muito importante pensar nisso, pois a comunicação está plenamente atrelada a essa realidade de transformação, desenvolvimentos e conquistas do ser humano. É a comunicação que torna visível todas essas coisas e muitas vezes faz uma verdadeira maquiagem para que algumas informações possam ser mais bem recebidas e aceitas pela sociedade. Poderíamos afirmar que a verdade é um elemento em escassez na sociedade contemporânea. A verdade foi substituída pelos interesses pessoais, políticos e econômicos que servem ao modelo do poder vigente. Não importa se a verdade é dolorosa ou não atende aos meus interesses, o que importa é que ela é altamente pedagógica, pois ajuda a criar um mundo com transparência. A verdade é aquilo sobre o que cada um de nós pode se apoiar para não cair. O amor exige a verdade. Ser cristãos exige que sejamos verdadeiros, para que de fato possamos ser sal e luz no mundo. Como comunicadores que exercem sua profissão com base nos pressupostos do cristianismo, somos convidados a desempenhar nossa prática comunicativa com base na verdade, e não simplesmente em conclusões pessoais, contaminadas pelas nossas referências e interesses. A sociedade considera que a verdade é discutível e que ela pode ter até mais que um lado; porém, há um lado de que nós cristãos não podemos abdicar: o do direito humano, do direito à vida e do direito à participação. Por isso, os profissionais e veículos de comunicação devem ser os guardiões das notícias. No mundo atual, eles não desempenham apenas uma profissão, mas uma verdadeira e própria missão. Eu diria até que se trata de uma vocação que contidamente deve se pautar pela verdade. Nós, veículos de comunicação de inspiração cristã, temos o dever ético da verdade, da liberdade, do entendimento e devemos, no andar da história, separar o joio do trigo e assim semear pelo mundo a esperança de uma sociedade com mais pontes e menos cercas, que separam e segregam as pessoas. Somos a comunicação da verdade da esperança, da paz e do testemunho. Dessa forma, não falamos de um jornalismo que nega a existência de problemas graves, mas que olha para esses problemas de maneira propositiva. Assumindo o compromisso de levar à sociedade à descoberta da verdade pela investigação séria e comprometida com a vida das pessoas e com o ambiente social e politico. Pe. Bertilo João Morsch – reitor do seminário Maior São João Maria Vianey.