Jornal A Cidade
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Santa Maria, Quinta-Feira, 12 de Julho de 2018 - Ano XIX - Edição 1230 - R$ 2,00
EDIÇÃO 1230 CIDADE 12 de Julho de 2018
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De volta ao começo

Cidade: bertilo volta começo
[ Foto sobre Bertilo 1230 De volta ao começo ]
Arquivo: Material publicado na Edição 1230 do Jornal A Cidade.

A vida é um eterno recomeçar, e devemos sempre retomar as boas aspirações que trouxemos desde a mais remota infância. Uma delas é a incessante busca por Deus. Lembro-me, por exemplo, que quando criança, eu era muito curioso em relação a Deus. Eu tinha a inocente pretensão de querer desvendar esse grande mistério divino. Quanto mais curioso eu ficava, parece que mais Ele se afastava. Definitivamente, não dá para entender tudo de Deus, ainda mais quando criança. Uma das imagens que mais me impressionava a respeito de Deus era aquela que o descrevia como “o olho que tudo vê”. Muitos tinham medo disso, mas eu até que gostava. Se Ele me observava, era porque também cuidava de mim. Ao fim da infância, essas buscas se modificaram. Com a chegada da adolescência e a consequente invasão de hormônios, a preocupação era pela procura de um grande amor e pela escolha da profissão a seguir. Já me sentia grande e pronto para a vida! Doce ilusão! De tempos em tempos, porém, reavivo com muita intensidade aquela busca por Deus que me acompanha desde a minha infância. Aliás, acredito que essa busca pode se dar pela oração, e a melhor oração é lembrar sempre de Deus, tendo consciência que Ele faz parte constante de nossa existência. Tenho a humilde pretensão de nunca o ter excluído da minha vida, apesar dos erros que cometi, mas quero me aproximar sempre mais dele, pois o que é avida de um cristão senão uma constante jornada de conversão em direção ao Pai? Uma das características da minha fé que se alteraram nesse tempo todo foi a passagem de uma crença mais individual para uma fé mais comunitária. Todos sabem e estão bem cientes de que ninguém se salva sozinho. A igreja reúne essa comunidade de pessoas que acreditam que Jesus é o Salvador e procuram seguir seus ensinamentos. Pode-se dizer que nos lapidamos mutuamente, pois conviver é, muitas vezes, uma difícil arte a ser aprendida aos poucos. Eis uma grande lição que a vida, essa grande escola em que estamos todos matriculados, ensina à todos nós. A arte de conviver é um aprendizado que só a experiência ao longo dos anos vai nos proporcionando. A sabedoria, diferentemente da inteligência, avança a passos de tartaruga, ou seja, muito lentamente, mas quando conseguimos ver a vida como realmente ela é, vivenciamos uma sensação de liberdade muito grande. Precisamos dos outros para sermos nós mesmos, mas precisamos ainda mais estarmos em paz conosco mesmo. Você se sente bem quando está sozinho? Ou foge da solidão como se fosse a pior das tragédias da vida? Cada vez mais, eu acredito que não existem tantas pessoas más quanto se imagina. Existe, sim, uma multidão de pessoas que desconhecem o bem, que estão sozinhas, desinformadas e que podem melhorar muito. Possivelmente, elas estejam precisando de verdadeiras amizades e de bons exemplos. Quem pode ajudar nesta edificante tarefa? Você, eu e todas as pessoas de boa vontade que entendem que é possível e necessário um mundo melhor, mais humano e fraterno. Podemos ajudar de várias formas: através da nossa presença, do nosso exemplo, das nossas palavras, das nossas orações, enfim , não dá para se enclausurar e se fechar em si mesmo. Ir ao encontro dos outros, mesmo quando a nossa vontade é de nos acomodar, é um grande gesto de amor que pode fazer uma enorme diferença na vida de muitas pessoas. Conheça mais pessoas! O mundo está precisando de sua amizade, do seu sorriso, da sua palavra e da sua fé! Pe. Bertilo João Morsch – Reitor do Seminário Maior São João Maria Vianey.

Publicado originalmente na Edição 1230 · 12 de Julho de 2018
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