Evangelizar com alegria
Neste mês em que lembramos os grandes santos da nossa Igreja como na devoção popular somos convidados também a testemunhar e anunciar as maravilhas de Jesus Cristo em nossa vida como na vida da comunidade. Refletirmos como aprender a viver em comunidade como Jesus ensinou, ouvindo e acolhendo os pobres em nome de Deus, como está registrado nas escrituras: nosso Pai que é bom e misericordioso ouviu o clamor de seu povo e veio ajuda-los a fim de libertá-los(Ex3,7). Dessa forma, evangelizar pode ter como ponto de partida a intimidade com o Senhor através da oração pessoal e comunitária, tendo a certeza de que Ele nos escutará e nos responderá, conforme o Eclesiástico 4,6 “aquele que o criou ouvirá sua oração”. Em outras palavras, deste caminhar de evangelização além da oração também faz parte o fazer justiça, ser justo consigo mesmo e com os irmãos. O apóstolo Tiago (5,4) nos chama a atenção para uma situação real e bem conhecida em relação a justiça envolvendo o empregador e o empregado. Diz ele: “Para que haja imparcialidade, odos devem receber um salário justo, fruto do trabalho árduo, honesto e correto; caso isso não acontecer, seus clamores chegaram aos ouvidos do Senhor do Universo”. Desta forma efetivamente cada atitude prática do cristão, deve inserir-se na “fidelidade ao evangelho, na justiça aos pobres e na misericórdia, para que ressoem vigorosamente sobre a Igreja”. Ser misericordioso é uma virtude da reciprocidade, e isso é bíblico, como nos disse Jesus: “Felizes os misericordiosos, porque alcançaram misericórdia”(Mt 5,7). Refletindo as virtudes cristãs e ressaltando, nessa mesma perspectiva, a misericórdia, o amor, o acolhimento aos pobres e a justiça em busca da felicidade, vemos que o profeta Daniel, como propagador do Reino de Deus, teve a mesma preocupação do mundo contemporâneo, alertando ao rei o que poderia trazer-lhe felicidade. Na verdade o que queremos é seguir Jesus Cristo, ter fé, segurança e saber como evangelizar. Santo Antônio escreveu vários sermões, cheios de doutrina e de unção espiritual. Numa das suas homilias, afirma: “quem está repleto do Espírito Santo fala várias línguas. Estas várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a saber: a humildade, a pureza, a paciência e a obediência. Falamos estas línguas quando os outros as veem em nós mesmos. A palavra é viva quando são as obras que falam. Cessem, portanto, os discursos e falem as obras. Por esse motivo o Senhor nos amaldiçoa como amaldiçoou a figueira em que não encontrava frutos, mas apenas folhas. Diz S. Gregório: “Há uma lei para o pregador; que faça o que prega”. Em vão pregará o conhecimento da lei quem destrói a doutrina por suas forças”. Os apóstolos entretanto, falavam conforme o Espírito Santo os inspirava, Atos2,4. Feliz de quem fala conforme o Espírito Santo lhe inspira e não conforme suas ideias. Que sejamos repletos de um profundo espírito de contrição e nos inflamemos com essas línguas de fogo de Pentecostes que são louvores divinos. Desse modo, ardentes e iluminados pelos esplendores da santidade, merecemos ver o Deus Uno e Trino. Pe. Bertilo João Morsch – Reitor do Seminário Maior São João Maria Vianey.