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Santa Maria, Quinta-Feira, 6 de Junho de 2019 - Ano XX - Edição 1277 - R$ 2,00
EDIÇÃO 1277 GASTRONOMIA 6 de Junho de 2019
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FESTA JUNINA: FÉ E ALEGRIA

Gastronomia: berttilo festa junina
[ Foto sobre Berttilo 1277 FESTA JUNINA ]
Arquivo: Material publicado na Edição 1277 do Jornal A Cidade.

O catolicismo popular devocional penetrou as terras brasileiras e se desenvolveu ao abrigo dos santos protetores. Nosso catolicismo plural, e em mutação constante, nasceu relativamente livre e autônomo, “com muita reza e pouca missa, muito santo e pouco padre”. As festas juninas celebram de modo particular Santo Antônio, São João Batista e São Pedro. O catolicismo popular se mesclou com as festas, as comidas, as culturas indígenas, negra e portuguesa, criando um rito mosaico. Santo Antônio, um santo amado e desconhecido. É muito venerado pelos escravos do Brasil. O carinho dos escravos é voltado para Santo Antônio de Lisboa, com o pigmento escuro, que o aproximava de seus amigos escravos. No Brasil, Santo Antônio assume o rosto do povo negro. Fez-se negro, como os negros. Pobre, como os pobres. Foi abrasileirado aquele que fora um santo luso-italiano. O sentido da vida cristã está enraizado na plena alegria do encontro pessoal com Jesus Cristo. O Papa Francisco vem insistindo muito em sermos “missionários da alegria”. Isto é, que nossa vida traduza um testemunho fiel a pessoa de Jesus. Não sejamos cristãos que vivam “uma quaresma sem páscoa”. Fixados mais na morte, no sofrimento, do que na esperança e alegria, nascidas da Ressurreição de Jesus. A esperança é uma das virtudes primordiais da vocação cristã. Sem ela a caminhada não tem sentido. O ícone que ilustra bem nossa reflexão são os discípulos de Emaús. Muitas vezes nos encontramos em situações similar, sem perceber a presença do Ressuscitado que caminha conosco, dialoga, se coloca à mesa e parte o pão. Os gestos de Jesus muitas vezes passam despercebidos em nossa vida, devido a correria do dia, do trabalho, sem contar os problemas na família e na comunidade que nos “roubam a alegria”(Papa Francisco). É importante deixar claro que, quando o Papa reforça o convite para sermos cristãos que “transpirem alegria” em nosso jeito de ser e agir, ele não está deixando fora os momentos de tristeza, sombras e desilusões pelos quais todo ser humano passa. As crises são cruciais para fortalecer o chamado que Jesus Cristo faz a cada um de nós. No número 6 da Exortação Apostólica “A alegria do evangelho”o Santo Padre afirma: “Compreendo as pessoas que se vergam a tristeza por causa das graves dificuldades que tem que suportar, mas, aos pouco é preciso permitir que a alegria da fé comece a despertar, como uma secreta, mas, firme confiança, mesmo no meio das piores angustias”. O cristão carrega em sua essência a força da alegria que brota dos seu interior(Jo 4,13-14). Não se trata de uma alegria do “bobo da corte”, de um puro sentimentalismo sem compromisso eclesial e social. O Papa recorda que na história da Igreja, muitos deram sua vida alegremente pelo Reino de Deus, mesmo a custa da própria vida. Basta lembrarmos de muitos santos e mártires, inclusive dos nossos santos juninos. As suas vidas, os seus testemunhos servem de incentivo para a vida de cada um. Pe. Bertilo João Morsch – Reitor do Seminário Maior São João Maria Vianey.

Publicado originalmente na Edição 1277 · 6 de Junho de 2019
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