De onde deve vir a nossa esperança
A perspectiva da chegada de um novo ano deveria gerar em nós um sentimento de esperança em dias melhores, ainda que o velho ano tenha sido conturbado e seu legado não pareça animador para muitos, porque não produziu os frutos que desejavam para a própria vida, para a sua família ou para o nosso país. O fato é que a esperança não nasce do nada, menos ainda da simples mudança no calendário. Só é possível cultivar a verdadeira esperança se ela tiver uma fonte adequada. Para os cristãos, a fonte de esperança por excelência é o próprio Deus e a ação do seu Espírito Santo em suas vidas. Assim, quanto mais íntimos de Deus e mais mergulhados em Sua vontade, mais cultivamos a esperança em nós de que a vida vale a pena. Essa é a experiência de Jesus, cujo nascimento festejamos neste último mês. Peço licença ao leitor para contar uma experiência pessoal. Sou professor, e alguns anos tive uma turma de alunos com a qual vivi momentos de uma relação muito difícil, bastante conflituosa. Não conseguia lecionar, sentia-me frequentemente desrespeitado. Cheguei ao ponto de pedir ao meu coordenador de curso para ser substituído. Porém percebendo que isso lhe traria um grande problema, a duras penas, conclui o semestre com aquela turma. No semestre seguinte, voltei a encontrar aqueles alunos que, agora, precisavam contar com a minha orientação para a realização de seu trabalho de conclusão de curso. Ao me lembrar da experiência anterior, por um momento, fiquei bastante desanimado. Mas, reuni minhas últimas forças, confiei a Deus que me ajudasse e me comprometi com Ele a fazer tudo o que estivesse ao meu alcance por aqueles alunos. De fato, empenhei-me no máximo das minhas capacidades, orientei a produção dos trabalhos e fui além disso. Pensava com frequência: “Devo fazer como se fosse para mim mesmo”. Ao fim do semestre, já tinha notado uma relativa mudança no comportamento da turma, mas ainda assim fui surpreendido. Numa última aula, antes de uma prova, agradeci a mudança de postura deles e até brinquei que, num certo momento do curso, queria desistir da turma. Então uma aluna pediu a palavra. Em nome dos colegas, disse-me que os alunos queriam me agradecer por eu ter me mostrado “o único professor que, de fato, naquele semestre do curso, tinha se comprometido com a turma”. Em agradecimento me deram muitos presentes. Foi um momento de festa! Eu dizia pra mim mesmo: “Puxa, Deus existe!” Por essas e outras pequenas e grandes experiências, estou convencido de que a única verdadeira fonte de esperança é Deus e sua ação se dá para além de nossos limites. Mas a esperança depende também da nossa iniciativa. Nossa esperança não deve vir do verbo “esperar,” mas de “esperançar”. Quer dizer: Deus age mediante de nossa postura ativa em favor do outro. Uma atitude que deve ser tolerante, compreensiva, dialógica, fraterna. Então, um ano novo cheio de verdadeira esperança para todos! Pe. Bertilo João Morsch – Reitor do Seminário Maior São João Maria Vianey