Consumo consciente
Consumir é fazer uso de alguma coisa, gastar algo. O ser humano é um ser consumidor. Desde suas necessidades mais fundamentais, como a comida e a bebida, ele faz uso dos recursos naturais que o rodeiam, utiliza-se da criação como fonte de sustento. Com o passar do tempo e o desenvolvimento das sociedades e das técnicas, as formas de consumo humano vão se modificando. O ser humano deixa de ser simples caçador e coletor daquilo que a natureza oferece para se tornar alguém que transforma a natureza e produz bens para o seu uso, para o seu consumo. Quanto mais o tempo passa, mais o ser humano torna complexo seu modo de viver. Novas formas de ver o mundo trazem consigo novas necessidades. Aumenta, deste modo, o que se quer e o que se precisa consumir. A partir de então, não se deseja apenas o que comer ou o que beber. Moradia, vestuário, diversão, conhecimento, tudo isso passa a ser objeto de consumo humano. Essas necessidades e desejos criados fazem que surja também grande interesse diante do próprio consumo. Há quem queira ganhar algo com essa variedade de desejos humanos. Surge então um problema – que entre tantas outras coisas que é e faz, também consome, para se reconhecer apenas o ser consumidor. Que consumidores somos? Nos chama a atenção um modelo de consumo a que o ser humano moderno foi submetido. Um modelo de consumo compulsivo, que não visa sanar apenas as autênticas necessidades que temos, mas também acumular bens como forma de sobressair diante dos outros. Deste modo, vamos nos tornando consumidores que não pensam no que consomem. Vivendo no automatismo, o ser humano consumidor segue cegamente os apelos do mercado. Qual é a saída para este modelo de consumo no qual nossa sociedade está inserida? É possível pararmos de consumir? Uma vez que o ato de consumir faz parte das ações próprias do ser humano, não nos é possível parar de consumir. Entretanto, podemos mudar nossa forma de fazê-lo. Como alternativa ao consumo compulsivo, irrefletido e obsessivo, temos novo paradigma, o do consumo consciente, responsável e sustentável. Consumir de maneira consciente é pensar no antes, no durante e no depois do uso de qualquer recurso, seja ele natural ou fruto da criação humana. Pensar no antes, ou seja, pensar na origem do que se está consumindo. No caso dos recursos naturais, é importante conhecer como são cultivados, como são extraídos da natureza. Em se tratando de algo produzido pelos seres humanos, há de levar em consideração sua matéria-prima, seu processo de produção. Em ambos os casos, também merece atenção a situação dos trabalhadores envolvidos, os meios usados para seu transporte e sua venda. Pensar no durante é pensar na forma como vamos fazer uso do recurso ou produto. Qual meu objetivo ao usufruir dele, que consequências este uso acarreta para mim, para o ambiente, para as pessoas que me circundam e para o mundo são perguntas que um consumidor consciente faz a si. O consumo pode gerar resíduos(lixo), trazer benefícios ou prejuízos à saúde da própria pessoa ou de quem com ele convive. Pensar no depois é refletir a cerca das consequências pessoais, materiais e até mesmo sociais daquilo que foi consumido. Deste modo, consumir de forma consciente é fazer uma análise completa do antes, do durante e do depois, colocando como que numa balança os prós e os contra desse processo. Propor e testemunhar um estilo de vida em que o consumo acontece de forma consciente é missão da igreja e de todos nós. Visto que estamos nos preparando para que com Cristo Menino iniciarmos uma nova vida, uma nova caminhada. Pe. Bertilo João Morsch – Reitor do Seminário Maior São João Maria Vianey.