Amar, a nossa vocação.
A história de cada pessoa inicia com o chamado a vida, primeira vocação, chamado a existência, ser homem e ser mulher. Cada ser humano sente-se envolvido no mistério de ser pessoa escolhida para a existência. Desde o principio fomos acolhidos por alguém que cuidou e cuida de nós. O chamado à vida é, portanto, nossa primeira vocação, a vocação fundamental. Nossos pais ao nos acolherem e cuidarem de nós proporcionaram que recebêssemos o batismo para fazermos parte e sermos acolhidos numa comunidade de fé, a Igreja. Assim também somos pessoas escolhidas para a vocação cristã. Toda vocação, humana e cristã, é para uma missão. Ao longo da vida cada pessoa, percebendo o mistério que a envolve, vai dando respostas que dão sentido ao chamado a existência e a vida cristã. Tal resposta se traduz num projeto de vida e se concretiza no que se denomina de vocação específica. A Palavra de Deus, vivida com particular intensidade, foi para as primeiras comunidades o terreno fértil sobre o qual floresceu a extraordinária experiência da graça e luz que levou a Igreja a atrair tantos membros. Quando a palavra do evangelho entrava na alma das pessoas, parecia que um fogo as consumia e se transformava em amor. A vida cristã era e é toda centrada no amor. “Amar a Deus de todo coração e de toda alma e ao próximo como a si mesmo”(Mt 22, 35-40). Amar assim favorece a comunicação entre as pessoas que não são apenas toleradas, mas presenças aceitas com respeito e solicitadas com amor, e não constrangidas. Nesse clima pode dialogar-se como verdadeiros irmãos, com grande liberdade e limpidez. Essa visão universal leva a ver em cada irmão o caminho para chegar a Deus. É Jesus que com sua vida, sua palavra, sua missão, suas atitudes nos mostra como é que Deus ama. Ele nos ensina e educa com a sua própria vida. O amor com que Jesus viveu e que nos deixou é especial e único. É o mesmo amor de Deus. Se somos seus discípulos, devemos frutificar esse amor. Nascemos para fazer a vontade de Deus. Assim fazemos de nossa vida um dom de amor, um tesouro que nenhuma traça corrói, uma casa sobre a rocha que nenhuma tempestade pode destruir(Mt5,7). A cada dia devemos acordar e fazer o nosso programa de vida, a nossa agenda diária: fazer à vontade de Deus, isto é, amar. E prever que é preciso recomeçar sempre, sem nunca desanimar. Para isso é preciso desapegar-se. São muitos os desapegos necessários para amar como Jesus. Por amor ir sempre avante, abraçando a cruz de cada dia. Amor verdadeiro exige que sejamos fiéis à verdade. Não é possível dizer que amamos a Deus se não amamos ao próximo. São João nos adverte com firmeza: ”Quem diz que ama a Deus e não ama o próximo é um mentiroso… e Deus não está com ele”(1Jo). Neste mês vocacional a Igreja nos convida a rezarmos e a criarmos esta cultura vocacional em nossas comunidades, olhando para o centro de nossas vidas , que está a chamada a alegria que Deus nos dirige, constituindo o seu projeto de vida para cada um de nós. Rezamos de maneira especial neste final de semana pelas vocações sacerdotais para que possam através de sua vida e de seu testemunho anunciar e mostrar este amor de Deus ao mundo. Que sejam perseverantes e que o Senhor continue a enviar santas e abençoadas vocações. Pe. Bertilo João Morsch – Reitor do Seminário Maior São João Maria Vianey.