Devoção popular: as festas juninas e a pastoral
O catolicismo popular devocional penetrou as terras brasileiras e se desenvolveu ao abrigo de culto de santos protetores, sendo expressiva manifestação da religiosidade portuguesa na Idade Moderna. Nosso catolicismo plural e em mutação constante nasceu relativamente livre e autônomo, com “muita reza e pouca missa, muito santo e pouco padre”. Há, além dos santos populares, particularmente os das festas juninas – Antônio, João Batista e Pedro – a presença catalisadora da devoção mariana. Hoje vamos falar do terceiro santo deste mês, Pedro, apóstolo de Jesus. Simão Pedro é seu nome. Filho de Jonas, irmão de André, ambos originários de Betsaida. É um homem casado que vive da pesca à margem do lago de Tiberíades na Galiléia. Larga tudo para seguir Jesus. Recebe de Jesus um novo nome: Képha, que quer dizer pedra, ou melhor, rocha de abrigo, tal qual uma gruta. Terá a primazia entre os doze apóstolos para servir na unidade e confirmar a fé do colégio apostólico, o primeiro entre os pares. É testemunha privilegiada dos episódios evangélicos, na paixão do seu amado Mestre e na experiência de Jesus, que lhe aparece vivo e pleno depois da ressurreição. Será o primeiro bispo de Antioquia e depois vai para Roma, tornando-se o primeiro papa. Jesus lhe perguntou três vezes se ele o amava. Pedro dirigiu a Igreja nascente. Foi martirizado em Roma durante a perseguição de Nero. Sua memória é sempre de um pescador disposto a atirar a rede quando Cristo ordenar, apesar dos ventos contrários. Sua festa é celebrada junto com o apostolo Paulo em 29 de junho. O povo o considera patrono das casas e das chaves. Tempo de hastear o mastro petrino, finalizar as festas juninas com as procissões e festas nas ruas e, para os que vivem em zona litorânea, navegar com barcos adornados. A devoção popular guardou na memória festiva dos três santos juninos o essencial da mensagem de Jesus: a proximidade do Deus que é Pai. Exprimiu-se na alegria do povo que, mesmo explorado e machucado pelo cotidiano, faz da festa um intervalo de luz ente as trevas. As festas dos santos exprimem a alma do povo e seus melhores momentos de partilha na música, na culinária e ao redor das mesas. São prenúncios eucarísticos do Reino de Deus em ação. Sempre sujeitos ao discernimento como pediam os bispos no documento de Medellin. “Impregnar as manifestações populares, como romarias, peregrinações, devoções diversas, da palavra evangélica. Rever muitas das devoções aos santos, para que não sejam tornados apenas como intercessores, mas também como modelos de vida, imitadores de Cristo. Tratar das devoções e dos sacramentos de maneira que não levem o homem a uma aceitação semifatalista e sim que o eduquem para se tornar administrador com Deus, de seu destino”. Participar da festa junina do povo é celebrar as maravilhas de Deus na vida. Haveria algo mais profundo litúrgico que isso? Cremos que não! Fazer da pastoral uma Igreja em saída tal qual aquele\a que dança feliz movido pela esperança. Pe. Bertilo João Morsch – Reitor do Seminário Maior São João Maria Vianey