Dar Sentido à Vida
É preciso curar as feridas. Minha conversão mudou minha maneira de ver a cura: nossas curas não são para viver por mais tempo. Nos curamos de nossas doenças e feridas para ter uma existência mais digna, mais bela. Nossas feridas psicológicas são por falta de amor e enquanto não forem curadas, elas nos tornam egoístas. Muitas vezes estas feridas são um obstáculo à graça de Deus. A cura não acontece sem nenhuma responsabilidade. Ser responsável é tomar conta de si mesmo. Tomar conta de nosso reino interior. Assim assumidas e lavadas, minhas feridas interiores são visitadas pela graça de Deus e se tornam fontes de energia para minha missão. Sejamos construtores de um sentido. Se quisermos que a morte tenha um sentido, encontremos primeiramente um sentido para nossas vidas. Esta frase começou a me questionar alguns meses antes da minha conversão. Dar um sentido à vida é o caminho mais difícil e indispensável para nós. Aí nos damos conta que somente as coisas feitas com amor e doação nos fazem bem. Mas se esperamos ser amados primeiramente, nós não podemos receber nada com o coração fechado. É através de ações de caridade que nosso coração se abre e nós podemos nos envolver neste grande movimento de dar e receber. Se nós sabemos “porque” ou “por quem” estamos prontos para dar a nossa vida, então, nós saberemos “porque” ou “por quem” estamos vivendo. Vivamos como Cristo. A felicidade é um dos componentes do amor. Mesmo que sua fé seja frágil, continue rezando e se alimentando com o Evangelho para que em você haja lugar para o Espírito Santo habitar. A vida cristã tem também seus compromissos indispensáveis: a oração pessoal, a vivência dos sacramentos, a vida na Igreja, o engajamento em algum serviço da comunidade. A formação cristã também é muito importante para conhecer melhor o conteúdo da nossa fé. E assim poder ser testemunha do Reino de Deus. Veja bem a realidade do mundo em que vivemos: casas grandes, famílias pequenas; medicina avançada, saúde precária! Conhecendo o mundo pela internet e desconhecendo os vizinhos. Muito conhecimento e pouca sabedoria. Agendas lotadas, mas sem tempo para amar. Muitos amigos virtuais, mas sem tempo para os amigos reais. Somos muito humanos, mas menos humildes. Temos relógios bonitos e caros, mas não temos tempo para nada. Muitos diplomas e pouco trabalho! Neste Ano mude de foco e veja o que realmente tem valor. Olhe e veja o que realmente é belo. Tenha tempo de qualidade para com Deus, com você mesmo, com sua família, com seus amigos, pois a vida passa. A vida é como um sopro que um dia, como uma vela se apaga. Nascemos sem trazer nada e morremos sem levar nada. E neste intervalo, entre a vida e a morte, brigamos por aquilo que não trouxemos e não levaremos. Pense nisto: Viva mais e melhor, ame mais, perdoe sempre e seja mais feliz! Pe. Bertilo João Morsch – Reitor do Seminário Maior São João Maria Vianey