Jornal A Cidade
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Santa Maria, Quinta-Feira, 5 de Setembro de 2019 - Ano XX - Edição 1290 - R$ 2,00
EDIÇÃO 1290 CIDADE 5 de Setembro de 2019
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FLOR, COR E AMOR.

Cidade: bertilo 1290 flor
[ Foto sobre Bertilo 1290 FLOR ]
Arquivo: Material publicado na Edição 1290 do Jornal A Cidade.

O mês de setembro, com todas as suas celebrações e memórias, reserva para aqueles que desejam caminhar em direção ao amor de Deus e ao próximo, uma orientação muito singular. Nele, somos convidados a nos aproximar da Palavra Revelada, a perceber o valor da Bíblia e todas as suas riquezas. Quem é que não se impressiona ao saber que diversas passagens nela descritas, mesmo depois de dois mil anos, são atuais! Amar o seu próximo é preservar a natureza e toda a criação de Deus, inclusive fazendo delas um meio para expressar o seu amor, como com as flores, principalmente quando palavras não confortam. Sentimentos, quando não são capazes de ser verbalizados e as palavras parecem não conter a intensidade do momento e do que quer se expressar, têm nas flores o recurso mais singelo e, ao mesmo tempo mais tocante. Plantas e flores provocam lembranças, afetos e relações que a dedicação aplicada ao cultivo ensina. Não é por nada que tantas pessoas fazem deste cuidado uma terapia. Cada etapa do cultivo traz um recado, do germinar ao render-se ao estado de insumo para a próxima planta, tudo é pedagógico e mimetiza a vida em seus vários ciclos. Existir é viver cada etapa, desde a semente até a colheita. Do botão que promete vida ao desabrochar que apresenta o cuidado recebido e o sucesso da vida em seu momento de plenitude. O “amarelecimento”, o vergar, a perda do brilho e a decrepitude que antecedem o fim preparam para o acontecimento mais generoso e, paradoxalmente, fértil: deixar sua semente como legado. A lição da natureza deveria ser aprendida e internalizada como a revelação do processo vital e, como tal, a morte e a volta à terra como processo natural. Pois assim é. No decorrer da vida e das relações, as flores são companheiras silenciosas e eloquentes ao mesmo tempo. Nas lapelas masculinas e punhos femininos, as flores acompanham os eventos sociais. Em todas as tipologias de ritos, as flores fazem conexão entre o físico e metafísico, por isso, estão presentes nos buquês e grinaldas, nas capelas e salões de festas do rito de passagem para a vida de casado; ladeiam os corredores e enfeitam as bancadas de formatura, nos ritos de finalização. Nos ritos religiosos, de todas as crenças, as flores são mais que decorativas, são oferendas de apreço, pedido, gratidão e louvor. Mas, assumem uma beleza triste com perfume e despedida em rituais funerários, entretanto, a ideia de flores no paraíso faz parte do imaginário religioso. Flores remetem ao conceito de beleza, independente da raridade, forma ou cor, provocando emoção que supera o entendimento e sendo capaz de provocar sensações místicas. Nesta linha da raciocínio escreveu Dostoievski “A beleza salvará o mundo”, e o ´Papa Bento XVI assumiu esta expressão ao falar da esperança da salvação, na encíclica Spe Salvi. A beleza da flor rara e mística do amor é, simultaneamente, expectativa, promessa e posse de eternidade feliz, que começa silenciosa no germinar da vida e alcança sua plenitude na vida eterna com Deus e com quem soube cultivar o amor. Pe. Bertilo João Morsch – Reitor do Seminário Maior São João Maria Vianey

Publicado originalmente na Edição 1290 · 5 de Setembro de 2019
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