Jornal A Cidade
jornal@jornalacidade.com· circulou às quintas-feiras· jornalacidade.com
Santa Maria, Quinta-Feira, 5 de Setembro de 2019 - Ano XX - Edição 1287 - R$ 2,00
EDIÇÃO 1287 CIDADE 5 de Setembro de 2019
← Voltar à capa

A Vida e o tempo

Reflexão filosófica sobre a relação entre tempo e qualidade de vida, inspirada na fábula da cigarra e da formiga de Esopo.
[ arquivo do Jornal A Cidade ]
Arquivo: Material publicado na Edição 1287 do Jornal A Cidade.

Ter vida longa a gente deseja, mas só isso não basta.. É preciso ter vida com qualidade. Tempo e vida são duas faces da mesma moeda, pois na terra vivemos uma coisa depois da outra. Não há como escapar. Então vem a pergunta de como aproveita o tempo par ter vida boa. Essa é uma pergunta de sabedoria que faz pensar. Esopo, um filósofo antigo conhecido por suas lendas, contou uma sobre a cigarra e a formiga: “Durante o verão e tempo bom, a cigarra cantava e a formiga trabalhava. A cigarra tirava sarro da formiga que trabalhava tanto. Mas a formiga fazia previsão para os tempos difíceis. Quando chegou o inverno, a cigarra ficou sem nada e foi pedir ajuda para a formiga. Na fábula a formiga responde: “pois é… cantaste no verão agora dança no inverno!”. Trazida para o nosso contexto, há dois lados aqui para aprender. O primeiro é que trabalhar é preciso! Mas só trabalhar não resolve. Ás vezes, de tanto trabalhar, a gente esquece de viver. Também é muito triste a situação de quem precisa trabalhar duro e direto, apenas para sobreviver. Do outro lado, a atitude da cigarra ensinava que viver sem trabalhar, só usufruindo do útil e agradável, não constrói vida feliz. Passamos muito tempo a procura do que nos faz feliz. Daquilo que nos completa. Mas onde encontrar esta tal de felicidade? Qual o caminho até lá? Sem dúvida, este caminho passa pela percepção da vocação, pela realização de nossa missão neste mundo, conforme aquilo que Deus sonhou para cada um de nós. A vocação é dom gratuito de Deus, um verdadeiro tesouro para aquele que a encontra. Um presente que não depende apenas de nossa procura, mas que nos é apresentado pela ação divina, por meio das pessoas, dos acontecimentos e de nossa própria história. Uma estrada por vezes sinuosa, com algumas pedras no caminho, mas que faz todo sentido quando nos sentimos felizes. Chega uma hora em que se esgotam as reservas em vários sentidos: afundam a saúde física, a situação psicológica e a base espiritual da vida. De fato, não só a parte física adoece, pois precisamos também de equilíbrio psicológico. A depressão e a solidão estão entre as principais causas de infelicidade hoje. É preciso alimentar boas motivações e relacionamentos profundos. O segredo maior está na base espiritual: aprender a amar e ser amado, a fazer o bem com convicção. Então haverá energia para os impactos mais difíceis e momentos cruciais de vida ou morte. Hoje a vida ganhou velocidade e superficialidade. É preciso viver o tempo com sabedoria. Jesus adverte: “Fiquem atentos! Vocês não sabem nem o dia, nem hora”(Mt 25,13). Pe. Bertilo João Morsch – Reitor do Seminário Maior São João Maria Vianey

Publicado originalmente na Edição 1287 · 5 de Setembro de 2019
LEIA TAMBÉM · MESMO TEMA
MAIS DA EDIÇÃO 1287
CIDADE Setembro Amarelo A SEMANA Obras na 287 EDITORIAL Independência do Brasil CIDADE Parque Jockey Clube
← Voltar à capa