Permaneçamos firmes na fé que professamos
A vinda de Jesus a este mundo tem como referência a atitude de um Deus que “escolhe” assumir totalmente a realidade humana para purificá-la e santificá-la. Isso vale não só como conforto para a nossa vida e para a nossa morte, mas como certeza que fundamenta a nossa fé. A Sexta Feira Santa é o dia do grande sofrimento de Jesus, mas não de derrota: Ele assumiu sobre Si mesmo o peso dos nossos pecados, e assim nos libertou da morte eterna. O pensamento central para a nossa oração e silêncio neste dia, deve ser aquele que nos vem da profunda mensagem que Paulo expressou aos Coríntios na sua segunda carta: “Aquele que nada tinha a ver com o pecado, Deus o fez pecado por causa de nós, a fim de que por meio dele sejamos reabilitados por Deus”. Jesus assumiu o lugar de pecador para que nós, pecadores, assumíssemos o lugar de Cristo, no coração de Deus. O oferecimento da vida de Jesus, no sacrifício da cruz, é assim , um ato de amor ao Pai que por Cristo perdoa todos os pecados. É da morte do Cristo na cruz que vem a nossa salvação. Na catequese de São João Crisóstomo, sec. IV, podemos encontrar um belo texto para a nossa meditação e oração neste dia. Diz o santo: “Queres compreender mais profundamente o poder do sangue derramado do Cristo? Repara de onde começou a correr e de que fonte brotou. Começou a brotar da própria cruz, e a sua origem foi o lado do Senhor”. A oração que encerra as cerimônias litúrgicas da Sexta-feira Santa nos acompanha até celebrarmos a luz da nova Ressurreição: “Que a vossa benção, ó Deus, desça copiosa sobre o vosso povo que acaba de celebrar a morte de vosso Filho, na esperança de sua ressurreição. Venha o vosso perdão; seja dado o vosso consolo; cresça a fé verdadeira e a redenção se confirme”. Salmo: Ó Pai em tuas mãos entrego o meu espirito. No silêncio e na resignação, ofereçamos nossa oração em um bom tempo de adoração. A nossa caminhada quaresmal nos leva a Páscoa da Ressureição. Não é, nunca foi, e nem será uma caminhada fácil. É exigente, árdua, cheia de altos e baixos, mas, é o caminho que nos faz voltar ao Senhor, de todo o coração e com todo a nossa vida. Essa caminhada não se faz com lamentações, muito menos na tristeza. É o tempo da graça que deve se vivido com alegria e verdade. Celebrar a Páscoa é celebrar a vitória do amor sobre o egoísmo e a ganância, a vitória da vida e da Graça, que vence a morte e o pecado. Ressuscitado, ele é a nossa força, a Palavra que toca e converte os corações. Ele está conosco para sempre. Com Ele nós vamos, e vamos sem medo, pelos caminhos do mundo, pela vida e pelo trabalho, anunciando a esperança de que o homem precisa para caminhar, realizar-se e transformar a sociedade. Numa sociedade mediática e globalizada, tão carente de Paz, de Amor e de Esperança, somos chamados a ser testemunhas da Ressurreição, sinais visíveis da presença de Cristo vivo no mundo. Feliz e santa Páscoa a todos! Pe. Bertilo João Morsch – Reitor do Seminário Maior São João Maria Vianey.