Jornal A Cidade
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Santa Maria, Quinta-Feira, 8 de Novembro de 2018 - Ano XIX - Edição 1247 - R$ 2,00
EDIÇÃO 1247 CIDADE 8 de Novembro de 2018
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Agir com Esperança!

Cidade: agir esperança esperança
[ Foto sobre Agir com Esperança ]
Arquivo: Material publicado na Edição 1247 do Jornal A Cidade.

Viver o mês de novembro envolve recordar o passado, as boas lembranças, os entes queridos. Agir nesse contexto é fazer memória de tantos santos e santas de Deus, percebendo as suas boas ações para a própria caminhada de santidade. Ter atitude cidadã nas datas situadas no presente calendário é reconhecer o que foi conquistado, mas devemos tomar consciência de que muitas coisas ainda precisam mudar, a fim de que o bem comum aconteça. Entre mártires, familiares queridos, santos e revolucionários conscientes, além de celebrá-los, como é bom perceber a humanidade aí presente e um caminho de esperança para seguir, principalmente em momentos de crise e de questionamentos, como encontramos na sociedade atual. Para que essa esperança não seja uma simples espera, lhes recordo o mito português conhecido como “sebastianismo”, muito em voga no povo de Portugal e descrito por outros povos, quando estes passam por situações difíceis: “Na segunda metade do século XVI Dom Sebastião de Portugal, que havia lutado na batalha de Alcácer-Quibir, desapareceu. Por falta de herdeiros, o trono português terminou nas mãos do rei Filipe II da Espanha. Como havia dúvidas sobre a sua morte, parte do povo que não aceitava que ele estivesse morto e não concordava com a situação da nação, mantinha a esperança de que ele se encontrava ainda vivo, apenas esperando o momento certo de voltar ao trono e afastar o domínio estrangeiro. Assim, quando Dom Sebastião voltasse, tudo voltaria ao normal, os problemas seriam resolvidos, as dificuldades superadas, o país se tornaria mais unido. Dom Sebastião, de Portugal, nunca voltou! Mantendo a esperança do retorno do restaurador, sem perceber a importância das próprias atitudes e a possibilidade de outras alternativas, constrói-se o sebastianismo”. Muitos historiadores acentuam que o mito do sebastianismo está presente na nossa nação, politica e cultura. Se isso for verdade, podemos ser seus seguidores ou perceber que a pátria, sonhos, família e comunidade se constrói com muita esperança, vinculada a ação, acreditando que podemos e devemos modificar o que não está adequado, contando com a cooperação e as mãos estendidas. Para isso a esperança precisa se transformar em atitude. Muito importante é perceber que, quando alguém pensa na vida, age por ela, tem uma postura de responsabilidade. Melhor do que isso é quando se associa, quando move outros a terem as mesmas posturas, focando no bem comum, no olhar que leva à realização pessoal e a constantes atitudes de solidariedade. Saber que desafios existem e que a morte se faz presente de inúmeras formas, é uma consciência adequada, mas ela não precisa conduzir a sonhos semelhantes. Agir com esperança é crer e possibilitar aquilo que somos e temos de bom, é sair do sebastianismo das queixas e questionamentos constantes para uma postura que transforma. Pe. Bertilo João Morsch – Reitor do Seminário Maior São João Maria Vianey

Publicado originalmente na Edição 1247 · 8 de Novembro de 2018
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