Artigo Padre Bertilo

Pe. Bertilo – Viver é conviver

Pe. Bertilo João Morsch – Pároco da Paróquia da Ressurreição e Reitor do Seminário Maior São João Maria Vianey.

         “Deus é amor; quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele”(1 Jo 4,16). Essas palavras da primeira carta de João exprimem com particular clareza o centro da fé cristã: a imagem cristã de Deus e a consequente imagem do homem e do seu caminho. (Bento XVI, Deus caritas est).

            Se reconhecemos e assumimos a vida como dom e mistério, vamos descobrindo a cada dia, a cada circunstância, que viver é conviver. Fomos criados para viver convivendo entre os outros, com os outros, e essencialmente para os outros.

            Eu sou se amo! Vivo a vida convivendo, não apenas estando junto. E aqui está o grande desafio. Viver se aprende e amar se aprende. Nascemos capacitados, mas não desenvolvidos. E por isso, temos que aprender.

            Fomos criados a imagem e semelhança de Deus. E Deus é amor, é comunidade. É Trindade! “ O Pai gera o filho por amor: saindo totalmente de si, por assim dizer, se faz, num certo modo, não ser por amor; mas é exatamente assim que é o Pai. O Filho por sua vez, qual eco do pai, retorna ao pai por amor, também ele se faz, de certo modo, não ser por amor e, exatamente assim é o filho”. Como o pai na Trindade é todo para o filho, o filho é todo para o pai e o Espírito Santo revela e expressa essa relação-amor.

            A nossa essência como ser humano é definida pelas relações e pela convivência, conosco, com os outros, com a natureza, com Deus. Estabelecer relacionamentos autênticos, sendo amor, desenvolve e expressa o nosso verdadeiro ser. A grande novidade que Jesus veio revelar e é para todos um desafio e uma descoberta é viver a vida, viver o amor. É impossível viver sem amar. Seria apenas um passar pelo tempo e não viver. Jesus veio mostrar qual é o caminho para se viver uma vida plena e qual é a verdade que nos leva a viver e a amar. Ele, o mestre da vida, do amor, pois ele é a vida, Ele é o amor.

            Jesus nos revela, por experiência própria, como Deus e como homem, que somos ser em relação. Nisso consiste a beleza da vida, a alegria de viver e a coragem para enfrentar desafios que o amor exige. O amor é uma experiência exigente. Exige aprender cada dia e saber que nunca saberemos amar suficientemente como ele, Jesus, nos ama. Mas é possível crescer, recomeçar. Como discípulos de Jesus esse é o nosso aprendizado permanente. Aprender a viver amando. Amando se vive verdadeiramente a vida. Deus se revela comunidade-comunhão. Esse é o único e verdadeiro Deus, e dessa revelação é que se expressa a única maneira de crer e viver porque Deus é comunhão, é amor. Deus é amor em si mesmo, antes do tempo, porque desde sempre tem em si mesmo um filho, o Verbo, a quem ama com amor infinito, que é o Espírito Santo. Em todo amor há sempre três realidades ou sujeitos: um que ama, um que é amado e o amor que os une.

            A contemplação da Trindade manifesta um precioso impacto em nossa vida humana. É um mistério de relação. Significa que as pessoas divinas não tem relações, mas são relações. A felicidade e a infelicidade na terra dependem em grande medida, sabemos, da qualidade de nossas relações. A Trindade nos revela o segredo para ter  relações belas. O que faz bela, livre e gratificante uma relação é o amor em suas diferentes expressões. Conhecer e contemplar a Deus antes de tudo como amor afetará nosso modo de viver.

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