Artigo Padre Bertilo

Pe. Bertilo – Os candidatos são todos iguais?

Pe. Bertilo João Morsch – Pároco da Paróquia da Ressurreição e Reitor do Seminário Maior São João Maria Vianey.

Época de eleição é época de emoção. A razão entra em férias, a sensibilidade fica a flor da pele. Em família e no trabalho, todos manifestam opiniões sobre eleições e candidatos. O tom das opiniões varia do palavrão ( a desqualificar toda a árvore genealógica do candidato) à veneração acrítica de quem o julga  perfeito. Marido briga com a mulher, pai com o filho, amigo com amigo, cada um convencido de que possui a melhor análise sobre os candidatos.

            Um terceiro grupo insiste em se manter indiferente ao período eleitoral, embora não o consiga em relação aos candidatos, todos eles considerados corruptos, mentirosos, aproveitadores e/ou demagogos.

            Não há saída: estamos todos sujeitos ao Estado. E este é governado pelo partido vitorioso nas eleições. Portanto, ficar indiferente é passar cheque em branco, assinado e de valor ilimitado, a quem governa. Governo e estado são indiferentes a nossa indiferença e aos nossos protestos individuais.

É compreensível uma pessoa não gostar de ópera, jiló ou cor marrom. E mesmo de política. Impossível é ignorar que todos os aspectos de nossa existência, do primeiro respiro ao último suspiro, têm a ver com política.

            A classe social em que cada um de nós nasceu decorre da política vigente no país. Houvesse menos injustiça e mais distribuição da riqueza, ninguém nasceria entre a miséria e a pobreza. Como nenhum de nós escolheu a família e a classe social em que veio a este mundo, somos todos  filhos da loteria biológica. O que não poderia ser considerado privilégio por quem nasceu nas classes mais abastadas.

            Somos ministeriados do nascimento à morte. Ao nascer, o registro segue para o Ministério da Justiça. Vacinados, ao da Saúde; ao ingressar na escola, ao da Educação; ao arranjar emprego, ao do Trabalho; ao tirar habilitação, ao da Cidades; ao aposentar-se, ao da Previdência Social; ao morrer, retorna-se ao Ministério da Justiça. E nossas condições de vida, como renda e alimentação, dependem dos Ministérios da Fazenda e do Planejamento. Em tudo há política. Para o bem ou para o mal.

            Por isso aos candidatos a vereadores, sugerimos que se atenham à atividade legislativa, já que promessas administrativas não correspondem às atribuições constitucionais correspondentes aos seus cargos. Pedimos que se trabalhe por um mecanismo de acompanhamento e fiscalização dos gestores públicos. Ousamos esperar que nossos futuros vereadores e prefeitos “vistam a camisa” do bem comum, superando os interesses particulares ou corporativistas.

            Às pessoas que se candidatam aos cargos executivos, possíveis administradores de nosso município, chegue nosso apelo sincero a não oferecerem planos fora da realidade, quando todos nós sabemos da escassez dos recursos e a progressiva atribuição de responsabilidades aos municípios, estados e a união com as dificuldades existentes.

            É muito bom ouvir, nas campanhas o apelo cunhado nos grupos de Igreja pelo Brasil afora: “Voto não tem preço, tem conseqüências!” Ninguém venda seu voto. Deus abençoe os eleitores, os candidatos e processo eleitoral deste ano!

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