Artigo Padre Bertilo

Pe. Bertilo – O celular e o amor de mãe

Pe. Bertilo João Morsch – Pároco da Paróquia da Ressurreição e Reitor do Seminário Maior São João Maria Vianey.

É impressionante ver uma criança com um pouco mais de um ano já mexendo com um tablet  ou celular de olhinhos fixos, seus dedinhos vão aprendendo rápido a descobrir e se encantar.

Na outra ponta da vida estão as vovós. Também rapidinho superam o enigma da máquina e descobrem um fascinante jeito de vencer a solidão que as ameaça. Entre a criança e a vovó está a filha-mãe, também de celular na mão, satisfeita porque no meio de tanto o que fazer parece que agora as coisas se encaixam. Mas esta é uma novela tipo suspense, que está apenas começando.

O celular é um exemplar entre vários outros meios digitais. O que está em jogo é o uso desses instrumentos para nos relacionar. A criança é símbolo do despertar da vida e, outra ponta, a vovó representa o que tentamos chamar de melhor idade. Elas mostram bem a s carências que temos de boas relações. O suspense está na realidade virtual que não é mas é; e que é, mas não é. Tipo tocar usando luvas. Toca, mas não toca; pois o contato tem aquele filtro.

Vemos então que estamos entre vantagens e riscos. As luvas são ótimas quando temos bons motivos para garantir outros bens, tipo contaminar ou contaminar-se. Mas imagine se todos os nossos contatos corpóreos fossem feitos com luvas e pinças? A conclusão seria uma espécie de medo ou nojo dominante que tornariam nossa vida insuportável.

É bem assim, quando achamos que os meios digitais são suficientes para nos fazer felizes na vida. Cedo ou tarde descobrimos que eles tem um vazio, que não conseguem preencher sempre. Amenizam distâncias, suprem ausências, mandam abraços. Mas chega uma hora que a gente precisa de um abraço mesmo, uma presença olho no olho, um gesto concreto mais claro em que possamos expressar e sentir o quanto o amor é real. Sonhos inspiram decisões, nos ensinam sobre perseverar e não desistir. O único problema é que muitas vezes nos esquecemos de apreciar o caminho, de dar valor às pequenas conquistas do dia a dia. Pensamos tanto no futuro que deixamos de viver o hoje, de apreciar os pequenos presentes que Deus nos dá todos os dias.

Viver sempre obcecado pelo futuro pode impedir você de viver o agora. Deus nos convida a viver o presente com gratidão e não só a preparar o amanhã.

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