Sem categoria

Pe. Bertilo – Família e Educação

Pe. Bertilo João Morsch – Pároco da Paróquia da Ressurreição e reitor do Seminário Maior São João Maria Vianey

            Desde o Concílio Vaticano II, a Igreja tem insistido que o progresso social da humanidade passa, necessariamente, pela educação que é compreendida como um “bem comum” e um “direito universal”. O Papa Francisco, sensível a essas exigências, propôs para o ano de 2020 a celebração de um pacto educativo global, envolvendo toda a sociedade para que se renove a paixão por uma educação mais aberta e inclusiva em prol das gerações futuras.

            A Família não pode renunciar a ser lugar de apoio, acompanhamento, guia, embora tenha de reinventar os seus métodos e encontrar novos recursos. Precisa considerar a que realidade quer expor os seus filhos. Para isso não deve deixar de se interrogar sobre quem se ocupa de lhes oferecer diversão e entretenimento, quem entra nas suas casas através dos computadores. Sempre faz falta vigilância, o abandono nunca é sadio. Os pais devem orientar e alertar as crianças e os adolescentes para saberem enfrentar situações onde possa haver risco, por exemplo, de agressões, abuso ou consumo de droga.

            A obsessão porem não é educativa, e não é possível ter o controle de todas as situações onde o filho poderá chegar a encontrar-se. Se os pais estão obcecados para saber onde está seu filho e controlar todos os seus movimentos, procurará apenas dominar o seu espaço. Desta forma, não o educará, não o reforçará, não o preparará para enfrentar os desafios.

            O que interessa acima de tudo é gerar no filho, com muito amor, processos de amadurecimento de sua liberdade, de preparação, de crescimento integral, de cultivo da autêntica autonomia. Só assim este terá em si mesmo os elementos de que precisa para saber defender-se, agir com inteligência e cautela em circunstâncias difíceis.

            Assim a grande questão não é onde está fisicamente o meu filho, com quem está neste momento, mas onde se encontra o seu sentido existencial, onde está posicionado, do ponto de vista das suas convicções, dos seus objetivos, dos seus desejos, do seu projeto de vida. Por isso, são pertinentes as perguntas aos pais: Procuramos compreender “onde” os filhos verdadeiramente estão no seu caminho? Sabemos onde está realmente a sua alma? E, sobretudo, queremos sabe-lo? A família que educa em casa é capaz também de educar a sociedade, pois os gestos falam por si só mais que palavras.

            Defender uma educação centrada na pessoa não significa defender uma educação centrada no indivíduo. Pelo contrário, se a noção de pessoa une identidade e comunicação, este modelo educativo não pode prescindir da formação para a coletividade. Logo, somente uma educação que conduza a formação de vínculos comunitários baseados mais na responsabilidade que no dever pode contribuir para a autêntica transformação da sociedade. Por isso o pacto educacional global nos encoraja a educar para o compromisso comunitário em diversas esferas: no diálogo com as diferenças, na superação da economia do lucro e do interesse, no olhar para a casa comum e para todos as formas de vida e na valorização do que é simples e belo.

Comment here