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Pe. Bertilo – Eu sou o Pão que desceu do céu.

Pe Bertilo João Morsch – Pároco da Paróquia Ressurreição e Reitor do Seminário Maior João Maria Vianey.

            Na quinta feira após o domingo da Santíssima Trindade, a Igreja Católica, celebra seu mistério mais caro, a Eucaristia, durante a solenidade conhecida como Corpus Christi. É como uma grande família reunida ao redor da mesa; nós estamos aqui como um dos grupos de cinquenta pessoas sentadas no chão no deserto, esperando comer o pão multiplicado por Deus. O pão que Ele nos dá é sua carne, para a nossa vida e a vida do mundo.

            Quando a família hebraica se reunia para a ceia pascal, estava prescrito na Bíblia que o filho menor da casa, antes de iniciar a refeição, dirigisse ao pai essa pergunta: “O que significa este rito?” Foi a pergunta que alguém também dirigiu a Jesus, na noite em que se puseram a mesa para celebrar a última páscoa de sua vida. A ele, Jesus explicou como tudo aquilo se celebrava desde a noite do êxodo, com o sacrifício do cordeiro e a ceia pascal, não passava de uma figura e de uma profecia a respeito dele, Cordeiro de Deus, que devia ser morto para tirar os pecados do mundo, e ser alimento e bebida para seus amigos. Nós também, reunidos para a ceia do Senhor, repetimos aquela pergunta: “O que significa este rito?” O Senhor nos responde antes de tudo, com as palavras da segunda carta de Paulo; ele nos diz: “Todas as vezes que comeis deste pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha”. Fazei isto em memória de mim.

            Eis, a palavra chave para entender a eucaristia: “ela é um memorial”, não lembra somente a morte, mas todo o seu mistério; sua prefiguração no Antigo Testamento e sua atuação no Novo Testamento.

            A lembrança bíblica é essencialmente diferente da humana, que faz reviver a realidade só “intencionalmente”, na memória. A recordação bíblica faz reviver a realidade de fato; é recordação e presença ao mesmo tempo. A salvação e a morte de Cristo não revivem somente em nossa memória, pela Eucaristia; há uma presença real sobre o altar. É a mesma presença, ainda que misteriosa e velada, que marcou Jesus no calvário; é a presença do Ressuscitado, que diz: “Tocai-me, sou eu de verdade”!

            A solenidade de Corpus Christi surgiu como uma resposta pública  àqueles que não acreditam que Jesus está presente no Santíssimo Sacramento. Para os católicos, a Hóstia Santa é um grande gesto de amor de Deus para com a humanidade, pois ela é o próprio senhor que quer ficar entre nós: “Jesus Cristo está realmente, de dia e de noite presente no altar”. Quando a comunidade reunida manifesta a sua fé, enfeitando as ruas e praças e acompanhando o cortejo que leva o ostensório com o Santíssimo, ela está dizendo que acredita nas palavras do mestre: É MEU CORPO. O mesmo corpo de Jesus que foi alimentado pelo corpo de Maria, como todo filho que tem seu cordão umbilical unido à mãe, durante o tempo da gestação. Por isso podemos dizer que a Virgem de Nazaré foi o primeiro ostensório que levou o corpo de Deus. Ela foi a primeira cristã/discípula a manifestar publicamente a fé na presença real de Deus no meio da humanidade.    

Ao longo da história, a celebração se tornou popular com grandes procissões pelas ruas ornamentadas com tapetes feitos pelos devotos com desenhos ligados à Ceia do Senhor e a tantos outros episódios da vida de Jesus. Neste ano devido a pandemia do coronavírus não teremos procissão e nem tapetes, somente percorrerá as ruas de nossa cidade o Santíssimo Sacramento num carro abençoando nossa cidade e logo após as 15he30min, missa em frente ao Santuário Basílica Nossa Senhora Medianeira com a benção e a Santa Eucaristia.

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