Artigo Padre Bertilo

Pe. Bertilo – Das sombras da morte, para a luz da vida

Pe. Bertilo João Morsch – Pároco da Paróquia da Ressurreição e Reitor do Seminário Maior São João Maria Vianey.

            Finados, um dia diferente. Silêncio, saudades, esperanças. Neste dia, a vida é sentida, pensada e questionada. Somente a fé é capaz de favorecer a luz da ressurreição. Então, o que poderia ser o término, passa a ser o começo da vida plena.

            A vida é um dom e está sob os cuidados de cada um. O que fazer com a vida é uma decisão pessoal. Porém, é bom recordar que daqui só se leva o bem que se faz. Logo, viver é estar sempre preparado, nunca cansado de fazer o bem.

            Unidos e solidários, na dor e saudade das pessoas queridas que perdemos, somos consolados pela luz da fé, que nos garante o triunfo da vida sobre a morte, vitória que herdamos das promessas de Jesus. Pela sua Páscoa, ele passou da derrota da morte para a vitória da ressurreição. Vivos e falecidos, nos unimos na esperança, na oração e na comunhão da Igreja, que hoje celebra o mistério da morte e da vida.

            Jesus Ressuscitado é a vitória que está ao alcance de todos. Somente quem vive como ressuscitado alcançará, um dia, a eternidade reservada pelo amor do Pai. Enquanto vibramos com a vida, vamos preparando a morada definitiva.

            Alguns elementos são essenciais na vida do cristão que deseja viver sua fé com autenticidade e, por isso, sente o desejo de proclamá-la aos outros. Entre esses elementos, destaco: a participação consciente na liturgia em comunidade; a oração pessoal constante e perseverante; o contato direto com a Palavra, como fonte para toda a vida, e a partilha daquilo que cada um experimentou de modo a gerar nos corações o desejo de conhecer mais e melhor a mensagem de Jesus Cristo.

  Nossa Mãe e Padroeira proclama que é feliz porque acreditou, nós também seremos felizes  se acreditarmos e confiarmos. A graça de Deus acolhida na vida do cristão, deve levá-lo a compreender sempre mais e melhor o amor generoso de Deus, que ama o ser humano na gratuidade. Embora o cristão tenha capacidades para perceber os sinais de Deus em sua história, é sempre Deus que toma a iniciativa. Isso é graça.

Numa das vezes em que Jesus trata da fé como tema de seus ensinamentos, ele certamente deixa seus discípulos espantados por afirmar que a fé dele era menos do que um grão de mostarda. Essa observação Jesus não faz a respeito de pessoas que ainda não tinham ouvidos seus ensinamentos, nem a respeito de pessoas que o haviam rejeitado. Ele fala aos seus próprios discípulos. Por isso, suas palavras são diretamente aplicáveis aos cristãos de hoje. Enquanto imaginarmos que a evangelização é para aqueles que estão fora da Igreja, perderemos a oportunidade de amadurecer na fé. Toda a mensagem de Jesus, da qual a Igreja é portadora, deve antes ser oferecida a nós cristãos, para que, cultivando a fé no coração dos outros com nossas palavras e nosso exemplo de vida, possamos transmiti-la bem aos outros.

            Hoje recordamos, com lágrimas, dor e saudade, as pessoas queridas da nossa existência, que faleceram. Por elas rezamos com muita ternura e esperança, buscando na fé o consolo de um dia nos reencontrarmos na vida sem fim. Reavivemos, pois, a nossa fé na ressurreição que nos aguarda, e preparemo-nos para o momento certo da nossa morte, que irá acontecer num momento incerto.

            Participemos com fé e esperança das celebrações por nossos falecidos e da trezena de preparação para a nossa Romaria da Medianeira.

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