Artigo Padre Bertilo

Pe. Bertilo – Amados e chamados por Deus

Pe. Bertilo João Morsch – Pároco da Paróquia da Ressurreição e Reitor do Seminário Maior São João Maria Vianey

            Deus quer que a família seja co-autora da vida. Por isso, a função de gerar, criar  e educar os filhos. A pessoa ao se tornar adulta e ao assumir a sua vocação de formar outra família, muito provavelmente irá repetir o que aprendeu e viveu em sua casa, portanto, se ela se desenvolveu num ambiente de uma família nuclear, onde o cuidado com a vida também acontecia de forma natural, a tendência é que repita tal modelo em sua nova família, “as palavras comovem o exemplo arrasta”.

            Infelizmente a cada dia vemos mais famílias desestruturadas, perdidas e destroçadas, onde nem mesmo dos seus conseguem cuidar. Resultado muitas vezes da falta de preparo e acompanhamento dos jovens, muitos influenciados pelo modismo e a ilusão do ter sem compartilhar, o prazer sem compromisso, e mesmo assim buscam o matrimônio. São João Paulo dizia: “A família é o lugar onde a vida, dom de Deus, pode ser convenientemente acolhida e protegida dos múltiplos ataques a que está exposta”.

            Sentir o amor de Deus é causa de grande alegria. Amar os outros também! O amor é paciente. Ter paciência não é deixar que nos maltratem permanentemente, nem tolerar agressões físicas ou permitir que nos tratem como objetos. Se não cultivarmos  a paciência, sempre acharemos desculpa para responder com ira, acabando por nos tornarmos pessoas que não sabem conviver, antissociais, incapazes de dominar nossos impulsos. O amor possui sempre um sentido de profunda compaixão, que leva a aceitar o outro como parte deste mundo, mesmo quando age de modo diferente daquilo que eu desejaria.

            O amor leva a servir. A paciência é acompanhada por uma ação, ou uma reação dinâmica e criativa perante os outros. Indica que o amor beneficia e promove os outros. Impulsiona ao serviço. O amor não é apenas um sentimento, mas deve ser entendido no sentido que o verbo amar tem em hebraico: “fazer oi bem”. Assim, poderá mostrar toda a sua fecundidade, permitindo-nos experimentar a felicidade de dar, a nobreza e grandeza de se doar super abundantemente, sem calcular nem reclamar pagamento, mas apenas pelo prazer de dar e servir.

            O amor cura a inveja. No amor não há lugar para sentir desgosto pelo bem do outro. A inveja é uma tristeza pelo bem alheio, demonstrando que não nos interessa a felicidade dos outros, porque estamos concentrados exclusivamente no nosso bem-estar. Enquanto o amor nos faz sair de nós mesmos, a inveja leva a nos centrar em nós ameaça. Entretanto, esta mesma raiz do amor leva-nos a rejeitar a injustiça de alguns terem muito e outros não terem nada. São anseios de equidade.

            O amor não é arrogante nem orgulhoso. Quem ama não só evita falar muito de si mesmo, mas, porque está centrado nos outros, sabe manter-se no seu lugar sem pretender estar no centro. A pessoa não deseja engrandecer-se diante dos outros. A lógica do amor cristão não é a de quem se considera superior aos outros e precisa fazer-lhes sentir o seu poder, mas a de “quem no meio de vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo”(Mt20,27). Que a Sagrada Família abençoa e proteja todas as nossas famílias. Parabéns a todos os pais!

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