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O tempo é para mudanças

Durante a trajetória da vida, do nascimento ao final, são construídos os significados do que foi vivido, a partir dos acertos e erros, das mudanças que ocorrem no percurso, ou não, enfim de como cada pessoa utilizou o seu tempo existencial.

O tempo confere sentido para o que foi vivido, independentemente do que tenha ocorrido. Quando esse tempo é vivenciado prazerosamente parece passar rápido, enquanto nas experiências dramáticas, como doenças, morte, ameaças e dificuldades em resolver situações de conflitos, o sentimento é de que ele nunca terá fim.

Para muitos, o tempo usado negativamente se mostra impossível de ser recuperado, ao considerarem que gastaram tempo com bobagens e sofrimentos desnecessários, e que não contribui para serem felizes, só existiram desperdícios de dias, meses e anos. Outros, compreenderam que não é possível segurar o tempo e a única coisa de que podem se apropriar é a experiência que ele permitiu construir.

O tempo nunca para, independente de experiências positivas ou não. Por isso, o importante é ajustar no tempo da vida como cada um deseja viver, direcionando o rumo para uma caminhada, onde os relacionamentos e os afetos possam valer a pena. Mas para isso ocorrer é preciso acreditar que a hora de mudanças é toda hora, basta se permitir viver o tempo que está por vir, de outra forma.

Entretanto, é preciso saber que mudanças podem ocorrer, em cada momento, em cada etapa, em cada período, em cada ano novo de sua vida. Basta questionar-se, por exemplo, ao ingressar na segunda metade da vida, na fase adulto maduro, sobre se o que está fazendo com o seu tempo é a seu favor!

A segunda pergunta, direcionada, principalmente aos adultos jovens, é sobre o que se está fazendo com o seu tempo que está passando. E como pretende vive-lo na longevidade? Essa postura de questionamentos pode ser a chave geral que aciona comportamentos mais lúcidos em direção as escolhas. Responder o que fez e o que está fazendo no presente com sua vida, porque gasta tantas horas com esse ou aquele comportamento, seja profissional, pessoal, social, amoroso, são reflexões que permitem pensar nas escolhas realizadas, avaliando, desta forma, se o seu tempo de vida está tendo um bom ou mau uso.

A pior resposta é aquela da pessoa que está abandonando o seu tempo, sem se responsabilizar por suas escolhas. Nesse caso, a hora de mudar é mais urgente, porque não o está usando a seu favor, apenas matando-o. O tempo transformador não depende da duração que é proposto. Muitos conseguem mudanças emocionais e comportamentais rápidas, mesmo daquelas mantidas durante décadas, e sentem-se muito mais vivo e otimistas em relação ao que está por vir. O tempo determinado pela finitude, tão temido, se alarga e o medo da morte fica mais tênue.

Quando se passa protelando os prazeres da vida, esperando para vivê-la nas férias, na aposentadoria ou quando sobrar dinheiro, esquece-se de que a opção de viver não é acionada de repente. Com ou sem prazer, a vida acontece em 100 por cento do seu tempo, todo dia, todo ano. Por isso, toda hora é hora de mudanças, pois elas podem fazer valer seu tempo muito mais. Viva este ano plenamente, fazendo de seu tempo um laboratório para mudanças, em prol de sua felicidade.

Pe. Bertilo João Morsch – Pároco da Paróquia da Ressurreição e Reitor de Seminário Maior São João Maria Vianey .

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