Dia do Psicólogo
Que incumbência me é atribuída ao escrever sobre minha própria profissão. Que desafio! Falar de algo longínquo é sempre mais fácil, pois temos a clareira da distância para guiar nossas palavras. Mas falar de algo que a gente vive todo dia e presencia é pretensiosamente mais complexo, pois envolve nós mesmos e nossos afetos. Assim, não tenho como falar da Psicologia com certa distância, sendo ela um disparador afetivo que me cabe diariamente e o exercício pelo qual escolhi para minha vida. Ao me solicitarem um texto sobre o dia 27 de Agosto, dia da(o) Psicóloga(o), penso o que a Psicologia enquanto profissão me ensina e o que ela, em seu cerne, representa. A Psicologia é o sentido mais radical de encontro. Ela promove encontros, nde quer que sejam eles. Já dizia Vinicius de Moraes que a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida. E nessa arte, promovemos trocas, escuta, saúde, acolhimentos. Promovemos ciência. A Psicologia sofreu muitas transformações e avanços ao longo de sua consolidação na América Latina e, mais especificamente, no Brasil. Passou por períodos repressivos, vestiu outras roupagens e foi cada vez mais abrangendo campos de saberes e áreas de atuação, até podermos dizer com segurança que onde há gente, tem campo para um(a) profissional da Psicologia que seja pautado na sua Ética profissional. A Psicologia é uma construção afetuosa, técnica e científica que se faz em cada prática, contexto e momento. É o olhar atento e crítico ao sujeito e à sociedade. E é isso que a torna tão diversa e, mais do que isso, tão necessária. Escrito por Ana Carolina Bragança, Psicóloga Clínica, Especialista em Clínica Psicanalítica e Mestranda em Psicologia na UFSM.