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Artigo Padre Bertilo João Morsch – 9 de abril de 2020

Vivendo a Semana Santa na sua essência e no seu sentido salvífico.

            Não há como dizer que a Semana Santa não seja diferente. É uma semana toda restauradora, cheia de paz. Ainda sou capaz de retornar a minha infância, quando lá na minha terra natal, participava com minha família de cada dia, de cada procissão, de cada momento penitencial, de cada celebração. Às vezes sem entender muito, mas sempre com muita atenção em cada gesto e palavra. Ali nos encontrávamos para celebrar o centro de nossa fé: Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

            Nesta Semana Maior, ou Grande Semana de nossa fé, a Igreja Católica celebra os mistérios da salvação, cumpridos por Jesus Cristo. O Papa Francisco, em 2013, nos ajudou a reforçar o mistério e a beleza destes dias: “Na Semana Santa nós vivemos o ápice deste momento, deste plano de amor que percorre toda a história da relação entre Deus e a humanidade. Jesus entra em Jerusalém para cumprir o último passo, no qual reassume toda a sua existência: doa-se totalmente, não tem nada para si, nem mesmo a vida. Na Última Ceia, com seus amigos, compartilha o pão e distribui o cálice ‘por nós’. O Filho de Deus se oferece à nós, entrega em nossas mãos o seu Corpo e seu Sangue para estar sempre conosco, para morar em meio à nós. E no Monte das Oliveiras, como no processo diante de Pilatos, não oferece resistência, doa-se; é o Servo sofredor profetizado por Isaías que se despojou até à morte”.

            Ainda hoje, principalmente no interior a religiosidade e piedade dos fiéis marcam esses dias. São dias de penitência e conversão, onde encontram a esperança na ressurreição de Cristo. E nosso povo, tão fiel, foi desenvolvendo ao longo do tempo diversos atos que demonstram, expressam e manifestam sua gratidão ao amor do Pai, sua fé e piedade, e identificam seu rosto sofrido com o de Cristo. Como exemplos temos as procissões, vigílias, via sacra e encenações da Paixão de Cristo. Tudo isso deve ser motivado, desde que não se perca a centralidade da caminhada para a Ressurreição de Jesus.

            A Liturgia da Semana Santa não pode ser uma junção de diversos momentos teatrais, mas sempre uma atualização do único Mistério Pascal, que não pode ser fragmentado. Ou seja, apesar de importante, o devocional e o popular não podem assumir a prerrogativa de momentos essenciais durante a Semana Santa. Trata-se da celebração do Mistério Pascal na sua globalidade, sem fragmentações, embora cada dia seja dedicado a um dos aspectos particulares. Havia e ainda há o perigo do romper a unidade do Mistério, separando excessivamente a celebração da morte da celebração da ressurreição.

            Essa realidade, infelizmente, é muito comum de se ver nas nossas comunidades, quando o teatro da Paixão do Senhor, por exemplo, envolve e atrai mais gente do que a Vigília Pascal e a Ressurreição do Senhor. Muitas vezes o esvaziamento da essência dos atos litúrgicos se dá por falte de preparação ou de um trabalho catequético com nosso povo. Daí, claro, é preciso preencher o vazio com iniciativas e expressões populares.

            Que esta Grande Semana nos ajude a mergulhar no essencial de nossa fé e redescobrir esse grande amor salvífico de Deus por todos nós. Cristo ressuscitou verdadeiramente, aleluia! A Vida venceu a morte, aleluia! Com essa certeza em nossos corações, que consiste na nossa esperança, deixemos ressoar neles as palavras que o senhor dirigiu as mulheres quando foram ao seu encontro: “Alegrai-vos, não tenhais medo”(Mt28).

Pe. Bertilo João Morsch – Pároco da Paróquia da Ressurreição e Reitor do Seminário Maior São João Maria Vianey.

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