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Artigo Padre Bertilo João Morsch – 17 de abril de 2020

É preciso conversão para celebrarmos a Páscoa

Pe. Bertilo João Morsch – Pároco da Paróquia da Ressurreição e Reitor do Seminário Maior São João Maria Vianey.

         Uma das grandes novidades que a mensagem de Jesus deseja imprimir em nossa alma é a liberdade interior, a libertação de tudo o que nos impede de viver em plenitude.

            Jesus tem esse poder de fazer novas todas as coisas, mas Ele só vai agir na minha alma se eu estiver disposto a me desapegar das coisas que guardo, muitas vezes como relíquia, que quase sempre não são coisas boas. Muitos dos sentimentos que guardamos fazem com que sintamos pena de nós e nada melhor do que nos sentirmos vitimados por uma situação. Guardamos “certas coisas” porque acreditamos em “certa justiça”, a justiça que nós achamos correta. Muitas vezes, fingimos um relacionamento sadio com as pessoas, mas, no fundo, no fundo, esperamos a grande oportunidade de fazermos “justiça” contra algo que sofremos. Justiça? Não! É pura sede de vingança. Sem perceber, vamos “ruminando” esse ódio amargo em nossa vida sem nos darmos conta de que a nossa vida também vai amargando.

            Não há felicidade sem dor, não há com despojar-se de si para unir-se a Deus e olhar para o irmão que, muitas vezes, passa despercebido aos nossos olhos. A Páscoa é a celebração da Ressurreição de Jesus Cristo. Em Cristo Ressuscitado a vida vence à morte, a graça destrói o pecado, a luz ilumina as trevas e o senhorio de Deus prevalece sobre as insígnia do mal. Ao ser morto e sepultado, na sexta feira da Paixão, Cristo acorda os que dormem no vale tenebroso das sombras da morte: “Com sua Morte destruiu a morte e com sua Ressurreição deu-nos a vida”(Missal do prefácio da Páscoa)

            A celebração da Páscoa nos permite conhecer a existência humana de Cristo. Sua vida, sua morte e ressurreição são a gramática para entender o grande amor de Deus pela humanidade. Jesus é o verdadeiro Cordeiro que tira o pecado do mundo. Seu sangue derramado na cruz resgatou a raça humana das garras da morte e da corrupção do pecado. Em Jesus fomos salvos da destruição eterna. Portanto, Jesus não morreu na cruz como espetáculo, mas foi fisicamente torturado e morto por nossos pecados. Sua morte na cruz é o preço do resgate da nossa liberdade. O que diferencia o sacrifício de Jesus dos demais é a sua ressurreição. Ela é prova certa, é certeza de que quanto Ele afirma é verdade que vale também para nós, para todos os tempos, Ressuscitando-o, o Pai glorificou-o.

            Desde sua origem a igreja proclama que “a ressurreição do Senhor é a nossa esperança. Jesus ressuscitou para que nós, apesar de destinados à morte, não nos desesperássemos, pensando que a vida acaba totalmente com a morte; Cristo ressuscitou para nos dar esperança”(S. Agostinho, Sermão 26).

            A realidade atual, marcada por tantos desastres, frutos da irresponsabilidade humana e do desprezo pela vida dos irmãos, faz-nos intuir que a cada dia vivemos gotas de ressurreição. Os que emergem das lamas do coronavírus são partículas de ressurreição. Os que se libertam de quaisquer vícios vivem uma fração de ressurreição. Os que promovem a paz e o diálogo entre os povos criam frações de ressurreição. Na verdade, a vida humana é feita de pequenas ressurreições que nos preparam a ressurreição definitiva, em que veremos Deus face a face.  A Páscoa é a oportunidade de deixarmos Jesus ser Deus e deixarmos que Ele atue livremente em nosso ser. Ele limpará cada aresta, cada átomo contaminado pelo rancor e pelo ódio e nos dará vida nova. Ele dirá ao nosso ouvido: “O que era velho já passou, tenho poder de sepultar esse sentimento para você, mas você precisa querer se desapegar. Mas você precisa querer… “ Seja Deus nossa força!

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